quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Muro de Berlim em formato obra de arte


24.setembro.2012
Bruna Tiussu
No histórico Check Point Charlie, em Berlim, um novo muro. Agora, como obra de arte panorâmica, erguida em uma enorme estrutura circular de aço, com 60 metros de comprimento e 15 metros de altura. É da plataforma de observação, a quatro metros de altura, que o visitante vislumbra em 360 graus The Wall,  a imagem da capital alemã dividida, tal como fora durante 28 anos de sua trajetória.
The Wall’, retrato em 360 graus de um dia comum na época do muro de Berlim
Assinada pelo artista austro-iraniano Yadegar Asisi – o mesmo que construiu Pergamon – panorama de uma antiga metrópole, também em Berlim -, a obra retrata um dia de outono na cidade durante os anos 1980, contemplando o posto de fronteira e avançando pelo bairro de Kreuzberg. Há fachadas de casas em ruínas, crianças brincando e o corriqueiro patrulhamento de guardas na fronteira.
Obra panorâmica quando em processo de construção. Fotos: Tom Schulze/Divulgação
Muitas das cenas ali desenhadas – foram três anos e meio de trabalho – ganharam detalhes e elementos da própria experiência do autor, que lá viveu quando o muro era realidade. Sua intenção, conforme disse ontem, no lançamento da obra, era justamente mostrar como os habitantes simplesmente se adequavam às circunstâncias do momento, à vida na Berlim segregada.  A estrutura permanece montada no Check Ponit Charlie por pelo menos um ano.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A falsa crise diplomática entre Brasil e EUA

24/09/2012
 Raquel Landim

Os Estados Unidos estão acusando o Brasil de protecionismo. Em um furo de reportagem, o colega Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra, revelou na semana passada que o representante comercial dos Estados Unidos, Ron Kirk, enviou uma dura carta ao ministro de Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota. Alguns trechos do documento: - “Escrevo para expressar em termos fortes e claros a preocupação dos Estados Unidos com os aumentos de tarifas de importação propostos e programados no Brasil e no Mercosul”. - “O aumento de tarifas no Brasil vai restringir significativamente o comércio em comparação aos níveis atuais e representa claramente uma medida protecionista.” - “As ações do Brasil prejudicam seus parceiros comerciais na região e no mundo. Historicamente, esse tipo de ação leva os parceiros a responder da mesma maneira, o que amplifica o impacto negativo” - “Peço ao Brasil para reconsiderar a implementação de novos aumentos de tarifa e para desistir daqueles que já foram aplicados”. Kirk se refere aos aumentos de tarifas de importação promovidos pelo governo Dilma Rousseff. No início do mês, o Brasil elevou as alíquotas cobradas de 100 produtos e anunciou que prepara uma lista de mais 100. São poucos itens em um universo de 10 mil posições tarifárias, mas representam produtos importantes, como aço e resinas plásticas, insumos para diferentes cadeias produtivas. Os termos da carta do alto funcionário dos EUA são considerados agressivos no meio diplomático e causaram indignação no Itamaraty, que respondeu à altura. Patriota apontou dois pontos que mostram que os americanos tem “telhado de vidro”. Primeiro, os EUA estão inudando os mercados com dinheiro barato para reanimar sua economia. Parte desses recursos migra para o Brasil e valoriza o câmbio. Segundo, os americanos subsidiam pesadamente sua agricultura. Os dois lados tem razão em reclamar, mas é preciso questionar porque decidiram “subir o tom” agora. Também há muitos motivos para acreditar que não vão passar disso – um exemplo típico de “cão que ladra não morde”. A avaliação dos especialistas é que essa troca de cartas não deve ter consequências práticas. “É uma falsa crise diplomática”, disse um experimentado lobista ao blog. Os Estados Unidos entraram na fase final da campanha presidencial. O democrata Barack Obama, que tenta a reeleição, é acusado pelo republicano Mitt Romney de ser tolerante com a concorrência externa. Para responder às críticas, o governo americano abriu processos contra China e Argentina na OMC e agora enviou essa carta agressiva ao Brasil. A medida brasileira é protecionista, mas não há base para questionamentos na OMC, porque o País elevou a maior parte das tarifas para 25%, abaixo do teto consolidado de 35%. O Itamaraty também não atravessa um bom momento junto ao Planalto. Nos bastidores, é frequentemente criticado por sua postura conciliadora. A presidente Dilma já deixou claro a interlocutores que não tem paciência para o jogo de cena dos itamaratecas e que prefere uma diplomacia de resultados. Se o Brasil realmente quisesse reagir às críticas, bastaria aplicar os mais de US$ 800 milhões de retaliação contra os EUA a que tem direito por ter vencido o painel do algodão. Como já mencionamos em post anterior, a Lei Agrícola (Farm Bill) americana expira no fim do mês. Seria a oportunidade perfeita para o Brasil rasgar o acordo que postergou a retaliação. Um experimentado negociador brasileiro disse ao blog que “dificilmente vai ser rompido um processo que já dura dois anos por causa de uma troca de cartas”. Para seguir em frente com a retaliação, o Brasil teria que desagradar sua indústria, que não quer ver subir os custos dos insumos que compra dos EUA. Brasil e Estados Unidos estão apenas jogando para a plateia. 

Na ONU, Dilma defende medidas cambiais e critica governo sírio


25 de setembro de 2012 

Dilma abriu os discursos dos governantes na assembleia da ONU. Foto: AFP
Dilma abriu os discursos dos governantes na assembleia da ONU
Foto: AFP
Em seu segundo discurso na abertura do debate geral das Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff defendeu nesta terça-feira as medidas adotadas recentemente pelo Brasil para proteger a economia nacional dos importados e da crise europeia, ao mesmo tempo em que criticou a política econômica dos países desenvolvidos e comentou outros temas importantes da problemática mundial, como a antiga luta brasileira pela reforma do Conselho de Segurança da ONU, o embargo a Cuba e a crise no Oriente Médio. Sobre este último tema, Dilma posicionou o Brasil contra o governo da Síria mas rejeitou a possibilidade de intervenção militar, apresentando uma defesa de multilateralismo e de uma solução negociada que estimulou palmas dos delegados reunidos na sede da ONU, em Nova York.
O discurso da presidente manteve o histórico brasileiro de buscar soluções negociadas para conflitos militares e de defesa do multilateralismo nos órgãos mundiais, descrita por observadores mais críticos como uma política "em cima do muro". Desde 1947 que o Brasil faz o discurso de abertura dos debates gerais da ONU, numa tradição informal devido ao seu papel preponderante na fundação do órgão global. Dilma, que tem demonstrado uma energia tecnocrática com medidas inovadoras, como a redução histórica da fórmula de rendimento da poupança para liberar mais recursos para investimentos produtivos, proferiu seu discurso com a oratória morna conhecida pelos habituais ouvintes de seus pronunciamentos.
A ocasião também não contou com a carga histórica do ano passado, quando a então recém-empossada presidente do Brasil foi a primeira mulher a realizar o discurso de abertura dos debates gerais da ONU. Um delegado da África que pediu anonimato, devido à natureza delicada do seu trabalho diplomático, disse que houve menos palmas ao discurso de Dilma este ano do que em 2011, mas a presidente seguiu definindo bem o espírito multilateral usualmente esperado do Brasil. Na imprensa americana, a fala de Dilma foi virtualmente ignorada, com o noticiário se concentrando no sóbrio discurso do secretário-geral, Ban Ki-moon, que falou antes de Dilma, e na fala do presidente Barack Obama na Assembleia Geral e na conferência Clinton Global Initiative, organizada pelo ex-presidente Bill Clinton.
A situação econômica este ano - em que o Brasil já lançou várias medidas para combater a crise de confiança iniciada com o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, no meio do ano passado, e que, por sua vez, alimentou o aprofundamento da atual crise europeia -, foi um tema importante na fala da presidente. Dilma voltou a defender as medidas adotadas pelo Brasil para conter a entrada de produtos importados, como intervenções cambiais para reduzir a cotação do real perante o dólar. "Não podemos aceitar que iniciativas legítimas de defesa comercial por parte dos países em desenvolvimento sejam injustamente classificadas como protecionismo", disse Dilma, urgindo uma coordenação maior de organismos internacionais como o G20, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para "reconfigurar a relação entre política fiscal e monetária", argumentando que o Brasil, segundo ela, sabe por experiência própria a impossibilidade de diminuir o endividamento soberano durante uma recessão.
"Meu País tem feito a sua parte", afirmou a presidente, alegando que o Brasil encontrou o equilíbrio entre austeridade fiscal e medidas de estímulo ao crescimento econômico, como os cortes recentes nas tarifas de energia para reduzir os custos de produção. "A história revela que a austeridade, quando exagerada e isolada do crescimento, derrota a si mesma", disse ela, numa possível referência ao problema enfrentado por países da periferia da Europa como a Grécia.
Oriente Médio 
Fazendo referência a "ressentimentos históricos" criados pelo período colonial e pelas intervenções pós-coloniais, Dilma apontou também a falta de oportunidades econômicas e democráticas de alguns países do Oriente Médio como um dos fatores por trás de levantes sangrentos como o da Síria. "Recai sobre o governo de Damasco a maior parte da responsabilidade pelo ciclo de violência ... mas sabemos também da responsabilidade das oposições armadas, especialmente daquelas que contam com apoio militar e logístico estrangeiro", afirmou a presidente, sem explicar quem são esses estrangeiros. Ela então lançou um apelo para as partes beligerantes abandonarem as armas e participarem das tentativas de negociação patrocinada pelo Representante Especial da ONU e a Liga Árabe.

Mostrando a posição ligeiramente antagônica do Brasil em relação aos EUA, Dilma falou primeiro contra o que descreveu como uma escalada de preconceito contra muçulmanos em países ocidentais, antes de citar o recente assassinato do embaixador americano na Líbia, afirmando que "com a mesma veemência repudiamos os atos de terrorismo" contra a representação americana. A onda de protestos e o filme de má qualidade que serviu de estopim para a fúria dos muçulmanos não foram citados, diferentemente do discurso de Obama, logo depois, que criticou diretamente o longa A Inocência dos Muçulmanos.
Após citar o que considera como conquistas da conferência de desenvolvimento da ONU realizada no meio do ano, a Rio+20, e também defender reformas no Conselho de Segurança (velha demanda brasileira) para incrementar o multilateralismo nos órgãos mundiais, Dilma pediu o fim do embargo econômico a Cuba, afirmando que o país "tem avançado na atualização de seu modelo econômico" mas que precisa da ajuda de parceiros "próximos e distantes" para progredir, bem como o fim do embargo. Para Dilma, "é chegada a hora de por um fim a esse anacronismo, condenado pela imensa maioria dos países das Nações Unidas".

sábado, 22 de setembro de 2012

Desigualdade cai com renda mais alta de pobres

22/09/2012
DO RIO
Com o crescimento mais acelerado da renda dos mais pobres, o Brasil experimentou queda da desigualdade entre 2009 e 2011 em quase todas as partes do país. A exceção é a região Norte.

No período, o rendimento dos 10% de trabalhadores com menores remunerações subiu 29,2%, ritmo bem mais intenso do que a média (8,3%), segundo o IBGE.
Tal diferença na evolução dos rendimentos de mais pobres e mais ricos fez o índice de Gini recuar --de 0,518 em 2009 para 0,501 em 2011. Quanto mais próximo de zero o indicador, mais igualitária é a distribuição da renda.
Somente no Norte os menores rendimentos não avançaram mais, o que explica o aumento do índice de Gini naquela região -de 0,488 em 2009 para 0,496 em 2011.
Um dos fatores que explicam a melhora da distribuição de renda no país é o aumento real do salário mínimo, que corrige mais os rendimentos mais baixos, segundo Maria Lúcia Vieira, gerente da Pnad. Pelos dados do IBGE, o rendimento médio do trabalhador brasileiro em 2011 foi estimado em R$ 1.345. Já a taxa de desemprego cedeu de 8,7% em 2009 para 6,7% em 2011.
A taxa recuou graças a uma combinação do crescimento da oferta de vagas (a ocupação cresceu 1,1%) com a menor procura por trabalho (a desocupação caiu 19,3%).
Entre as regiões, o Centro-Oeste apresentou a maior renda média dos trabalhadores em 2011 --R$ 1.645, alta de 10,5% frente a 2009.
A região tinha a segunda pior distribuição de renda, atrás apenas do Nordeste -onde o rendimento subiu 10,7%, o maior avanço de 2009 a 2011.
A renda dos trabalhadores do Sudeste foi a segunda maior: R$ 1.522, com expansão de 7,8% ante 2009. Depois do Sul, o Sudeste obteve a melhor distribuição de renda.
MULHERES
O dados mostram que a mulher continua ganhando menos que os homens no país. Em 2011, o rendimento delas foi 70,4% do deles.
A diferença aumentou em relação a 2009, quando a relação era de 67,1%. (PEDRO SOARES E LUCAS VETTORAZZO)
Editoria de Arte/Folhapress
Editoria de Arte/Folhapress
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1157706-desigualdade-cai-com-renda-mais-alta-de-pobres.shtml

Ministro paquistanês oferece US$ 100 mil pela morte de autor de filme anti-islã

22/09/2012
DA BBC BRASIL


Ministro de Ferrovias paquistanês, Ghulam Ahmed Bilour, ofereceu uma recompensa de US$ 100 mil (cerca de R$ 200 mil) neste sábado pela morte do cineasta responsável pelo filme americano "Inocência de Muçulmanos", que vem provocando uma onda de protestos em diversos países por ser considerado ofensivo ao profeta Maomé.
Bilour disse que vai pagar a recompensa de seu próprio bolso. "Eu vou pagar US$ 100 mil a quem matar o realizador desse vídeo", disse o ministro. "Se alguém fizer outro material blasfemo parecido no futuro, eu também vou pagar US$ 100 mil para seus assassinos."
Ele convidou membros do Talebã e da Al-Qaeda a participarem do que chamou de "obrigação sagrada".

Narinder Nanu - 19.mai.2011/France Presse

Ghulam Ahmed Bilour, ministro paquistanês que ofereceu US$ 100 mil pela morte do autor do filme anti-islâmico
Ghulam Ahmed Bilour, ministro paquistanês que ofereceu US$ 100 mil pela morte do autor do filme anti-islâmico


"Eu digo a esses países: Sim, a liberdade de expressão está lá, mas vocês deveriam criar leis para pessoas que insultam nosso profeta. E se vocês não o fizerem, então o futuro será extremamente perigoso", disse.
A direção do partido do ministro, o ANP, disse à BBC que suas declarações revelam uma opinião pessoal, não uma política do partido, mas que o partido não tomará nenhuma medida contra Bilour.
Apesar de toda a polêmica, ainda não se conhece a origem exata do filme "Inocência de Muçulmanos". O suposto produtor do filme, Nakoula Basseley Nakoula, permanece escondido.
Desde que um trailer dublado em árabe foi divulgado na internet, há quase duas semanas, uma onda de protestos contra os Estados Unidos se espalhou por diversos países muçulmanos.
IRA PAQUISTANESA
O Paquistão é um dos países onde as manifestações têm sido mais violentas. Na sexta (21), mais de 20 pessoas morreram e cerca de 200 ficaram feridas em protestos contra o filme em diversas cidades do país.
O governo americano tem recomendado a seus cidadãos que evitem viajar para o Paquistão.
A Embaixada americana no país pagou por anúncios na TV paquistanesa mostrando o presidente Barack Obama e a secretária de Estado, Hillary Clinton, condenando o filme.
Neste sábado, uma manifestação pacífica percorreu as ruas de Islamabad, capital do país. Os manifestantes se reuniram em frente ao Parlamento e entoaram slogans contra o filme, pedindo punição aos realizadores.
OUTROS PAÍSES
Diversos outros países também registraram protestos neste sábado. Na capital de Bangladesh, Daca, diversas pessoas ficaram feridas em confrontos entre centenas de manifestantes e a polícia.
Na Nigéria, dezenas de milhares de muçulmanos marcharam na cidade de Kano, no norte do país, em protesto. Os manifestantes gritavam "Morte à América, morte à Israel e morte aos inimigos do Islã" e arrastaram bandeiras dos EUA e de Israel na lama.
Os EUA são o alvo principal dos protestos, mas a França também está em alerta depois que uma revista satírica francesa publicou nesta semana caricaturas do profeta Maomé. Ontem, o país fechou embaixadas e missões diplomáticas em cerca de 20 países muçulmanos.